Essa Porra de Vida

Canção dos homens e mulheres nascidos do coração.

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Parei e me ajoelhei, aos céus

olhei, e indaguei – assim, com verbos todos conjugados

no mesmo tempo, ao mesmo tempo –

aos santos com asas de bronze, suados da peleia do Diabo com Deus:

– Como pode a vida cansar tanto?

Até velha Maria está arqueada de benzer

com arruda, de terço nas velhas mãos,

pedindo força, fé e proteção

das tantas angústias jogadas aos meus irmãos,

que são todos os nascidos dessa terra, pela benção sagrada

daqueles com a pele de sol do Nordeste,

dos ritos secretos dos homens de pedra no Sudeste,

dos ressabiados cavaleiros do Sul,

das lendas e mistérios do povo sagrado do Norte,

ou daqueles sertanejos altivos do Centro-Oeste.

 

Valha-me vida, que posso fazer?

Os músculos e a barba dos homens

as tranças e a saia das mulheres

o corpo e potência das crianças

não são a resposta, são

o toque do boi que chama as coisas boas da terra.

 

Meu povo não deserde e se vá embora.

Algum trovão cairá dos céus, dos olhos dos Anjos piedosos

Gabriel, Rafael e Uriel,

que estão calados por obrigação

faz nove vidas inteiras.

 

Mesmo com as agruras tão presentes

há de chover calor e vapores a adentrar

pele e terra, prédios e vielas

vidas e emblemas, roupas e amores

transformando corações tão profundamente

que não haverá aquele capaz de explicar o novo laço

unindo pessoas tão distantes debaixo de uma laje fria.

 

A neblina não será tão espessa, capaz de cegar,

pôr medo, deixar ressabiado a ponto de levar a mão ao alforge.

O ouro puro com o qual se faz moeda e colar

não valerá como vale.

Coisas enjuvelhescidas, como o suor, o abraço,

as tardes em volta da mesa com café, pão e manteiga

sorrisos de bons amigos voltarão como resposta

ao silêncio sagrado dos anjos.

 

Atravessemos pois os dias

com as costas talhadas, profundas e graves

capazes de suportar as decisões que nos criou,

pois, é sabido: a noite é mais escura

antes do dia amanhecer.

 

 

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Publicado às abril 27, 2016 por em poesia e marcado , , , , .
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