Essa Porra de Vida

Menos política, mais beijo e abraço

abraço

Em meio ao turbilhão que o país virou, consegui de alguma forma manter a sanidade, o que sabemos não é tarefa fácil. Minha semana começou com um leve mal estar até que na quarta feira veio a febre, quinta as dores, e hoje a ressaca com um pouco de tosse.

A gripe me lembrou – e não só a gripe, mas também as pessoas que me cercam – que tenho um limite. Eu penso “eu consigo trabalhar umas sessenta ou setenta horas por semana”. O corpo responde “teu cu”.

As pessoas que me amam são um pouco mais carinhosas, claro. Elas dizem “porra nenhuma”.

Porque o amor – seja ele o amor próprio, o amor que você sente por alguém ou que alguém sente por você – é coisa violenta. Ele te obriga a mudar o modo como você cuida de si. O amor te pega e te leva até a morte. Quem de nós não quer morrer velhinho, amando e sendo amado?

A rotina nos massacra, e talvez tenha havido um tempo onde o amor era um conforto. Mas então o amor tornou-se uma palavra gasta. O tempo que herdamos de nossos pais e avós é um tempo onde todos amam e portanto ninguém ama. Vemos juras de amor a gatos, cachorros, bares, bandas, atores e atrizes. Então saímos as ruas ignorando nossas crianças nas crackolândias, berrando com quem não pensa como nós. E é uma pena.

Nunca pensei que fosse dizer o que agora vou dizer, mas por favor, esqueçam um pouco a política. Parem de ler revistas e jornais como Veja e IstoÉ, e vão ler poesia e literatura como Eugênio de Andrade e Tolstói.

Deixem que um verso de Eugênio lhes massacre o coração:

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Se um verso desses não te causa nada, seu coração está enferrujado. Faz tempo que você nada sente, e é preciso sentir, por Deus!

Esqueçam termos como PIB, per capita, inflação, alíquota. Lembrem-se de palavras que falam do corpo e do sentir. Abraço, beijo, carinho, paixão, amor.

Vivemos tempos confusos, mas todos o são. Não nos entreguemos a essa falta de luz terrível que cega e separa, faz nascer o ódio e por fim mata. Ao invés de procurar nas ruas um petista para xingar, gritar, bater e humilhar, procure um amigo para abraçar. Arrume uma pessoa para beijar. Se entregue a uma boa preguiça e passe uma tarde inteira fazendo carinho nas costas de alguém. Sorria diante do espelho.

Fazendo isso a vida não se tornará mais fácil, os problemas não vão desaparecer, as contas não vão se pagar. Mas pode ter certeza meu caro, você sentirá mais prazer com a vida que vive.

Isso eu garanto.

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2 comentários em “Menos política, mais beijo e abraço

  1. Michele Viviane Vasconcelos
    março 25, 2016

    Belo texto Rafael. E Eugênio masssacrou o coração sim. Abs

    • Rafael
      março 28, 2016

      Ele sempre massacra. Valeu o comentário!

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Publicado às março 25, 2016 por em coluna e marcado , , , .
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