Essa Porra de Vida

Mais amor por favor

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Ontem veio um amigão meu me visitar. Cancelei um compromisso por causa de um machucado no ombro. Sabe-se lá porque eu não conseguia mexer o braço. E do jeito que veio, a dor se foi.

Falávamos sobre um lance que, creio, muitos já se pensaram.

Você abre o Facebook e encontra, salvo algumas páginas bacanudas que gravitam por ai, ódio, raiva e similares. Ou pornografia disfarçada.

Não me levem a mal, por favor. Não sou do tipo conservador. Minha base moral é feita de Nietzsche, Sartre, Foucault, Dostoiéviski, Bukowski, Camus, Kafka. Mas ainda assim eu sinto algo de errado nesse lance todo. Quer dizer: temos a nossa disposição uma ferramenta capaz de disseminar, viralizar qualquer coisa. Qualquer coisa! Porque diabos espalham uma versão mixuruca do Balanço Geral misturado com BBB?

Repito, não sou moralista mesmo. Meu TCC foi sobre o uso moral como ferramenta política. Mas acho abusivo e de certa forma ofensivo os corpos expostos da mesma maneira. Pouca roupa, pouca idade, língua de fora, frente ao espelho, com a barriga tanquinho dos homens ou parte dos seios das mulheres a mostra. Acho estranho por que podíamos espalhar qualquer coisa.

Para cada fulano explicando Hobsbawm, Žižek Frida Kahklo, há dezenas de corpos expostos com o mínimo permitido, como em um açougue fazendo caras e bocas que seus pais não gostariam de ver. Quando não nos deparamos com a síndrome do “tiozinho de meia idade que escreve em caixa alta xingando tudo e todos“. É a síndrome do cara que tem raiva de tudo sempre. Ele odeia impostos, pobre, negros, cotas, gays, nordestinos, comunistas, petralhas, esquerdopatas, black blocs, Cuba e Venezuela e Brazil, odeia ainda mais o Brasil e os brasileiros, o lulismo, o lulopetismo, o lulodilmismo, o bolivarianismo e o chavismo, o socialismo, ciclistas, ativistas, feministas, o Bolsa Família, o Mais Médicos e todas as esmolas governamentais.

É uma coisa monstruosa de se ver, porque não há como se esconder atrás da desculpa que nossos pais davam, de que “eu assisto essa porcaria porque só tem porcaria pra assistir”. Ao contrário. Constrói-se essas coisas todas. E isso me parece triste por qualquer ângulo que eu olhe.

Podíamos espalhar poesias, obras de arte, citações literárias, roteiros de teatro, oficinas de filosofia… Uma minoria inclusive faz isso. Nossas vidas cotidianas já não é dura o suficiente? Acordar cedo, dormir tarde, já não é penitência suficiente?

Talvez não dê em nada, mas compartilhe sorrisos. Sorrisos reais, não fotografias de sorrisos. Compartilhe abraços, não fotografias de abraços. Seja tão feliz que não lhe sobre muito tempo para tirar fotos, fazer caretas, poses. Seja assim, meio brega, meio bobo.

E espalhe Amor. Muito amor. Você será sensivelmente mais feliz, posso te dizer.

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4 comentários em “Mais amor por favor

  1. Michele Viviane Vasconcelos
    julho 15, 2014

    Mais amor por favor… muito bom Rafael. É justa a tua reivindicação. Adorei a objetividade de seu texto. E a voz desse cara, fantástica.

    • Rafael
      julho 15, 2014

      O Criolo é, na minha opinião, o melhor cantor vivo brasileiro. E olha que o que eu curto mesmo, nem é rap!

      • Michele Viviane Vasconcelos
        julho 15, 2014

        Divido os barulhos entre música e não música, arte e não arte. Esse tal crioulo, está na minha estante de música/arte, com certeza! Ele se destaca sem esforço, naturalmente. O cara é bom! Nem precisa fazer cara de mau, dar pirueta, usar a calça caída, tatuagem, fazer tipo. Quando é, é. E, nem é rap rs

      • Michele Viviane Vasconcelos
        agosto 15, 2014

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Publicado às julho 15, 2014 por em crônica e marcado , , .
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