Essa Porra de Vida

Ironia filha da puta! Assaltaram minha mãe!

ironia

Eu pensando, lendo, teorizando sobre criminalidade urbana, sobre a situação da população carcerária, repensando teóricos do assunto e minha mãe foi furtada em seu local de trabalho. 

Ela trabalha como vendedora de planos de saúde, e é minha heroína. Não por ter vencido um câncer. Não pela força de vontade de ter concluído o ensino médio após ser mãe. Não por trabalhar com uma bolsinha pós operatória. É minha heroína por ser a pessoa junto com meu pai que mais sofreu baques, quedas, decepções, derrotas que eu conheço e sempre permaneceu a mesma. Sempre com a cabeça erguida, correta e fanfarrona. Ela e meu pai são os exemplos máximos de seres humanos que conheço. Mandela é fichinha perto dos dois.

Mas enfim, ela trabalha como vendedora de planos de saúde em um escritório que dá para a calçada, e enquanto foi lanchar um dos vendedores ficou cuidando do local. Entrou uma mulher com duas crianças, perguntou sobre os planos, pegou a bolsa de minha mãe como se fosse dela e foi-se embora.

Trezentos e tantos reais foram levados, junto com o celular da minha mãe e os documentos. Entre eles o cartão do médico onde minha mãe consulta pelo SUS para conclusão do tratamento do câncer que ela venceu. E sem a carteirinha não há consulta. Sem consulta nem quero pensar no que acontece.

Mas eis que ligam para minha mãe e lhe informam que a bolsa foi encontrada no banheiro de outro escritório, que foi lá deixado por uma mulher com duas crianças que pediu para usar o banheiro e que lá deixou a bolsa, sem dinheiro, mas com os documentos.

E ela me conta isso triste, nervosa, mas rindo. Dinheiro a gente trabalha e consegue, o celular eu posso ficar sem por enquanto, ela diz. E pensamos na situação da mulher que usa duas crianças para furtar, e que devolve os documentos.

O que a teria levado a isto? Não preciso ficar pensando tanto nisto, a resposta é meio óbvia.

Agora ter devolvido os documentos de minha mãe, me faz pensar que provavelmente é uma mulher passando por grandes dificuldades na vida. Furtar e devolver parte do furto não é coisa de um Fernandinho Beira-Mar por assim dizer. E se minha mãe foi capaz de perdoa-la, então só posso desejar a ladra que ela melhore sua condição de vida, para que jamais volte a fazer o que fez. Porque assim como o Wagner Moura, eu ainda acredito no ser humano, sou do tempo do por favor e do muito obrigado. Um cafona total.

Portanto, um grande abraço a ladra, meus sinceros desejos para que a senhora consiga se sustentar por conta própria e que não envolva mais crianças em coisas do tipo.

E meu muito obrigado a meus pais que me criarem com esse tipo de consciência.

Amo vocês dois!

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Publicado às janeiro 9, 2014 por em crônica e marcado , , , .
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