Essa Porra de Vida

Prisioneiro da grade de ferro – parte II

paraisopolis

No post anterior eu fiz duas perguntas, com relação a criminalidade. São elas:

1 – Porque esse cara me assaltou?

2 – Prende-lo fará com que ele jamais volte a me assaltar?

Pois bem. Vamos a primeira pergunta então.

Deixo claro que acredito, antes de mais nada, que assaltar é uma escolha do indivíduo, mas não somente isso. No campo das grandes mentiras da humanidade está aquela que diz que todos nascemos iguais, em condições e dignidade. O garoto que acaba de nascer na favela carioca e aquele que nasce no alto da Lapa. Aquele que nasceu agora no SUS e vai morar no barraco em alguma favela paulista e vai pra casa de busão lotado e aquele que nasceu na ala da maternidade do Sírio Libanes e vai pra casa com o helicóptero alugado pelo papai.

Não são iguais em nada. Absolutamente nada.

Um deles estudará no Liceu Pasteur, o outro no E.E.E.M Cidade de Osaka, escola da, Zona Leste de São Paulo que no começo dos anos 2000 teve pixado no muro o nome das pessoas que iriam morrer no bairro Parque São Rafael. E a escola fica ao lado da 55ª DP. E os nomes todos foram riscados a medida que iam morrendo. Todos foram riscados.

Gilberto Kassab ex-prefeito de São Paulo, entrevistado no Roda Viva, assumiu não fazer a mínima de quantas DÉCADAS o ensino público de São Paulo irá levar para se aproximar em qualidade do Liceu Pasteur, onde ele mesmo estudou. E para cada um que nasce no Sírio Líbanes, existem centenas que nascem no SUS. Para cada garoto que tem o curso de inglês no CCAA pago em dia, há milhares de outros que se formam no ensino médio aprendendo na escola apenas o maldito verb to be.

Não, a pobreza não justifica o assalto, embora talvez explique em partes. Eu mesmo sai dessa realidade, embora não tenha melhorado tanto quanto gostaria. E sim, eu acredito que o cidadão da periferia que acorda todo dia para enfrentar oito horas de trabalho mal remunerado é um herói.

Mas então é como disse Mano Brown no mesmo Roda Viva.

Que herói é esse que não vence no final?

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4 comentários em “Prisioneiro da grade de ferro – parte II

  1. Kleber Gasparini
    janeiro 6, 2014

    Desde que o sistema capitalista foi implantado na Idade Média, aos reis perceberem que não tinham mais dinheiro, aumentavam a taxa dos impostos dos camponeses, e aqueles que não tinham mais como pagar, ou serviços a oferecer eram expulsos das aldeias. Os camponeses para poderem sobreviver, precisavam sequestrar e roubar dos viajantes das estradas, mesmo assim muitos morreram de fome. Hoje em dia, continua da mesma forma, filho de rei será rei e filho de “bandido” será o mesmo (claro que cada caso é diferente, e isso não se encaixa a todas as pessoas).

    • Rafael
      janeiro 6, 2014

      cara!
      isso está bem explicado em foucault e é bem como escreveu mesmo!
      se puder leia vigiar e punir!

  2. Neemias Mc
    janeiro 15, 2014

    Antes do ser humano chegar no ato do assalto existe muitas coisas por trás,
    O sistema, indico assistir o Filme e documentários “Ônibus 174 Ultima parada”
    Vou assistir esse documentário,

    • Rafael
      janeiro 15, 2014

      Cara, esse documentário é realmente fantástico!!!
      Já assisti este! Tem um também chamado “Ela pensou que eu morri” – talvez o título seja um pouco diferente – que mostra a percepção de presos de outros países em penitenciárias brazucas.
      É tenso…
      Abração!

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Publicado às janeiro 6, 2014 por em crônica e marcado , , .
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