Essa Porra de Vida

Prisioneiro da grade de ferro

pris

Antes de mais nada, quero registar neste texto que fui assaltado inúmeras vezes na rua. Algumas vezes a mão armada, outras sem que eu visse a arma, em diferentes fases da vida. Em uma delas, três pessoas armadas invadiram nossa casa – eu com então 6 anos – agrediram meu pai, meu tio, para então levar tudo de valor que coube na picape dos assaltantes. Em outra oportunidade, metralharam meu vizinho traficante e também nossa casa, onde eu, meus pais e minha irmã estávamos. Houve também a vez onde fiquei literalmente no meio de um tiroteio. Literalmente. E sai vivo, sem um tiro.

Bom vamos ao texto.

Assisti o excelente e premiado documentário O prisioneiro da grade de ferro de Paulo Sacramento, que retrata os últimos sete meses do Carandiru.

São cenas fortes.

O modo como o sistema prisional funciona é nefasto. É impossível que alguém se regenere. Não há nenhum esforço para que as pessoas aprisionadas por cometerem delitos deixem de cometê-los no futuro. E penso que assim o é pois há um processo de condenação popular fortíssimo para que o preso seja punido. Há um sentimento permeando o Brasil de que apenas o cidadão “de bem” é quem se fode. Coloco as aspas pois creio que se olhado de perto todos temos delitos, pequenos ou grandes para pagar. Mesmo assim, não acredito também que quando a criança rouba balinhas na venda da esquina, ela seja igual ao assassino ou ao traficante.

Nessa onda de assistirmos constantemente em diversas mídias, criminosos de todos os tipos sendo absolvidos com as mais estapafurdias jogadas dos advogados, quando a sociedade se depara com um encarcerado, há aquela sensação de alma lavada. E quanto mais punido ele for, mais eu me sinto bem.

Como ser humano eu adoraria ver as pessoas que agrediram meu pai, meu primo e levaram metade de nossos bens esfolados vivos talvez. Mas as perguntas que precisam ser feitas, quer eu queira, quer eu não queira são duas:

1 – Porque esse cara me assaltou?

2 – Prende-lo fará com que ele jamais volte a me assaltar?

No próximo post eu continuo essa discussão. Sei que ninguém, ou quase ninguém lê posts gigantes. E eu quero ser lido.

Sim, essa última frase, foi meu ego falando.

Anúncios

Um comentário em “Prisioneiro da grade de ferro

  1. Neemias Mc
    janeiro 15, 2014

    Eu li, e vou ler o outro post.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às janeiro 3, 2014 por em crônica e marcado , .
%d blogueiros gostam disto: