Essa Porra de Vida

Porque eu sou um anormal e gosto disso.

PIADA MACACO

Dias desses li sei lá onde um artigo especificando que há uma doença psiquiátrica responsável por fazer você desejar ser normal. Ok, não sei se é pra tanto, mas há algo de doentio mesmo na normalidade. Aliás, que se registre, normal de cu é rola.

De qualquer forma estou eu a refletir sobre o dito artigo enquanto passo por uma ciclovia que há em minha cidade, a saber Campo Bom. É verão, e lá estão os corpos malhados a caminhar e correr. Homens de peito estufado, todos de regata ou mesmo sem camisa, músculos a mostra. Mulheres de pouca roupa, calças de cores berrantes, tênis multicoloridos e multinacionais. Seus rostos todos, e fiz questão de olhar, me transmitiam – a priori, é bom que se diga – me pareciam absurdamente estúpidos.

Durante o inverno não se vê tantos corpos a passear descompromissadamente. No inverno o programa geral é outro. E é incrível com o desejo de correr some de todos ao mesmo tempo sempre. Do mesmo modo, como o desejo de assistir novelas ou ao futebol a todos consome. Ou a vontade irresistível de sambar durante fevereiro, o consumismo de dezembro, a chocolatria da Páscoa ou a caipirice de junho.

É estranho pensar como a população pensa e sente o mesmo sempre. Como todos parecem possuir o desejo irrestrito de ser igual a todos. E no dia seguinte ao jogo a conversa é sempre a mesma. E quando não há jogo, há a novela. Ou o Fantástico. Ou Big Brother. Ou algo que o valha. São variáveis. Substitua pelo programa horrível de sua preferência.

E quando todos falam a mesma coisa, todos pensam a mesma coisa. E isso é o que se chama normal, médio. E de médio derivamos a palavra medíocre. Uma população medíocre.

E agora tenho de falar sobre a cara de surpresa quando perguntam a mim sobre as porcarias dita acima, e digo que bloqueei os canais abertos da televisão. E antes que me acusem de burguês safado, é bom dizer que há normalidade e mediocridade principalmente entre a classe média cadela que consome TV a cabo. E talvez eu até seja safado, mas burguês, é ofensa demais.

E por não ter contato com essas porcarias não temos lá muito o que conversar, pois como bem disse o Luiz Carlos, grande amigo meu, todas essas coisas são lubrificantes sociais. Facilitam a falta de cumplicidade que existe entre todos. Falamos de tudo e de nada tudo ao mesmo tempo.

E não acredite você que a internet está a salvo. Ao contrário. Basta dizer que ao curtir uma página no Facebook, logo surge uma página como sugestão para que você curta. Uma página geralmente idêntica ou semelhante à que foi curtida. E então você terá contato com pessoas que continuam pensando o mesmo que você.

Sou anormal. Como diz o ditado, não faria parte de um clube que me aceitasse como membro. Sou anormal por natureza. No sentido ruim da palavra. Falo de coisas estranhas, penso coisas estranhas, leio coisas estranhas. E nada disso é elogio. Ao contrário. Coisas perigosas até.

Funciono ao contrário. Cago pela boca, falo com o cu. Penso com os pés e penso pensamentos invertidos. E não corro na ciclovia junto a tanta gente estúpida. Exceção feita a Pablo que corre comigo, mas ele também está sob suspeita. E isso é um elogio de minha parte.

Sou anormal porque não suporto o medíocre. Prefiro os extremos, seja acima ou abaixo. Uma espécie de macaco com navalhas.

 

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Publicado às dezembro 16, 2013 por em crônica e marcado , , .
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